| Abelharucos 2011 - A experiência de um fotógrafo |
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| Escrito por Humberto Ramos | ||||
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"O Abelharuco Comum (Merops apiaster), é uma das aves mais bonitas da fauna Portuguesa, pertencendo à ordem Coraciiformes, nesta ordem além do abelharuco comum, incluem-se ainda mais três espécies de grandiosa beleza, o Guarda-rios (Alcedo atthis), a Poupa (Upupa epops) e o Rolieiro (Coracias garrulus). As expectativas para este ano eram altas, pois bastante cedo começámos a ouvir os seus sons pelos campos. A minha primeira tentativa ocorreu na manhã de dia 03/04/2011 (estava acompanhado pelo Filipe Caetano), tentativa esta em que apenas um exemplar pousou no local pretendido e não deu oportunidade de ser fotografado, pois assim como pousou, assim saiu, não ficando no pouso mais que um segundo. Já no dia anterior o Bruno Calha, o Filipe e o Jacinto Policarpo haviam tentado, mas sem grande sucesso, pelo que sei, apenas pousou por alguns momentos uma única vez.
Após o "falhanço" do fim-de-semana anterior, tentamos uma vez mais no fim-de-semana seguinte, montamos abrigos, equipamentos, pousos e ficamos a aguardar. Bastante mais tarde, cerca de três horas depois (com algum "desespero" pelo meio), eis que pousou o primeiro exemplar, tal como no fim-de-semana anterior, pousou apenas uns segundos, o Filipe e o Ricardo Lourenço (a minha companhia desse dia) ainda o conseguiram fotografar, mas um erro de distracção levaram-me a falhar a fotografia, pensei sinceramente que tinha perdido a oportunidade do dia. Passado pouco tempo e longe das expectativas, pousou novamente um outro abelharuco, e desta vez ficou tempo suficiente para o conseguir fotografar, após cerca de um minuto, eis que chega outro ao mesmo poiso, um casal, ele com uma oferenda para ela, um momento fantástico, estavam em acasalamento e a fêmea tinha escolhido o nosso pouso para aguardar pelas oferendas e exibições do macho. Foi uma manhã fantástica, a "encher cartões", cerca das 13:00h fomos almoçar a casa, descarregar os cartões de memória que se encontravam cheios (no meu caso, dois cartões de 8 Gb e um de 4 Gb), para voltar pela tarde para mais uma sessão. Para a sessão da tarde, contamos com mais a presença do Bruno Calha, que durante a manhã não nos pode acompanhar, mas que se juntou a nós para a sessão da tarde, pois não resistiu à tentação. Mais três horas de espera, mais pensamentos de desilusão, mais calor e pó, o desespero novamente instalado e demos por nós a arranjar explicações para a falta de sucesso, é do pouso, é do vento, é do calor, é o Bruno que dá azar. Sem ninguém esperar, chega o primeiro abelharuco da tarde, parecia a guerra, cada um de nós fazia disparos até encher o buffer da máquina só se viam clarões dos flash's e ouviam sons vindos do obturador que faziam "trrreee, trrreee" continuamente. Tal como na manhã, depois do primeiro chegar, foi um "vê se te avias", que só parou quando o sol se escondeu no horizonte, uma tarde a encher uma vez mais os cartões de memória, chegamos por várias vezes a ter cinco exemplares no pouso. Dadas as tonalidades e colorações do abelharuco, pode-se perfeitamente observar na sua plumagem a evolução da temperatura da cor ao longo do dia, pessoalmente gostei mais das cores das fotos tiradas durante a manhã, pois ficaram mais belas com a temperatura mais fria, os abelharucos ficaram com um tom bastante agradável de azul no peito, as cores mais quentes do final da tarde, traduzem no abelharuco um peito mais esverdeado que não é na minha opinião tão belo. Nestas sessões conseguimos observar e fotografar esta espécie em variadas situações, entre elas o ritual de acasalamento, que passa por exibições do maçho em voo, por oferendas de insectos e até mesmo o momento da cópula do casal. Depois desta minha descrição, podem ficar a pensar que cada vez que se sai para fotografar abelharucos se "enchem cartões", mas não me interpretem mal, os abelharucos são aves selvagens em que não é possível prever o seu comportamento, o fim-de-semana que descrevi foi uma excepção nunca antes testemunhada por nenhum dos presentes. No dia seguinte, um Domingo (04/04/2011), eu, o Filipe e o Pedro Costa, fomos pela manhã a mais uma sessão, conseguimos novamente o sucesso das sessões anteriores, mas nesse mesmo dia durante a tarde, o Bruno deslocou-se ao mesmo local, com as mesmas condições e não tirou uma única fotografia. Depois disso, num outro dia também durante a tarde em que estava eu e o Filipe e num outro durante a manhã, em que o Bruno foi só, não se conseguiram absolutamente fotos nenhumas, pois como disse as espécies são selvagens, estando cada sessão dependente da sua vontade para esse dia. Aqui ficam então algumas fotografias dos intervenientes tiradas nas sessões referiadas: |
Comentários
Neste caso, qualquer uma delas nos deixa a observar mais do que uma vez, com vontade inclusivamente de pensar como foram obtidas. São espectaculares. Os meus parabéns ao autor.
António Dias
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