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FÓRUM

www.natugrafia.com: Home Artigos / Livros Entrevistas Entrevista ao Fotógrafo Gonçalo Lemos
Entrevista ao Fotógrafo Gonçalo Lemos PDF Versão para impressão Enviar por E-mail

altNasceu na Marinha Grande, em 1968.

O seu interesse fotográfico começou a ser despertado em grande parte devido à paixão pelo ambiente natural que sempre o rodeou. O Pinhal de Leiria e o ribeiro de S. Pedro foram os grandes inspiradores devido à sua beleza natural.

Dedica-se em grande parte à fotografia de natureza, tendo-se especializado principalmente em fotografia nocturna. Vencedor de vários prémios nacionais e internacionais, possui trabalhos publicados em vários sites e livros sobre fotografia nocturna e astrofotografia. Amante da natureza no usufruto, na sua forma de viver e na fotografia.

 

 

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1.            Queres-nos contar como surgiu o gosto pela fotografia, principalmente pela fotografia nocturna? Tens alguma outra vertente que também te interesse?

O gosto pela fotografia surgiu primeiro com uma forte paixão pelo mundo natural. Desde pequeno que vivo rodeado por animais domésticos e selvagens e sempre fui educado para os respeitar. A curiosidade era tanta que queria registar aqueles momentos únicos para depois os relembrar.  A fotografia nocturna sempre foi o que mais me apaixonou na fotografia, não só pela sua dificuldade mas também pela sua originalidade. Para isso contribuíu muito o interesse pela astronomia e pela natureza.

2.            Sendo a fotografia nocturna uma área da fotografia muito específica, tem potencial em Portugal? Existe muita gente interessada ou temos um grupo muito restrito?

O grupo de pessoas dedicadas à fotografia nocturna neste País é extremamente restrito. Conto pelos dedos de uma mão (e ainda sobram alguns) os fotógrafos que usam a fotografia nocturna como uma componente natural na seu processo normal de obtenção de imagens. Diga-se igualmente que o mercado também não as procura muito, um pouco pela fraca divulgação que têm. A seu tempo, as coisas mudarão mas até lá é preciso ir insistindo.

 

3.            Com os teus trabalhos achas que tens conseguido contribuir para a sua evolução em Portugal?

Tento mostrar o que é possível fazer, com novas maneiras de ver um assunto. Como também gosto de ensinar, faço frequentemente vários workshops vocacionados para a fotografia nocturna e brevemente alguns foto-tours. A criação de artigos é uma componente que me agrada muito porque assim, podemos ler e re-ler. Digamos que é um ensinamento permanente mas que também permite a quem o lê, conhecer os métodos e quebrar as regras de vez em quando.

 

4.            Sendo o teu novo projecto “Gigantes da Floresta”, de conhecimento público, queres-nos contar um pouco mais sobre o mesmo? Quanto pensas apresentar o resultado final?

O projecto dos Gigantes da Floresta é o reflexo de uma paixão pessoal por árvores. Sempre gostei de árvores e sempre as admirei. Vivo num concelho que possui o maior numero de árvores monumentais em ambiente natural. Fico triste quando vejo que algumas árvores por esse país fora são violentadas, cortadas sem que alguém faça alguma coisa. O projecto destina-se a dar a conhecer grande parte dessas árvores que se encontram em ambiente natural, ao público. É preciso conhecer para amar e amar para preservar.

O projecto abrange todo o território nacional, incluindo as regiões autónomas da Madeira e Açores. Em Portugal continental, o registo fotográfico está a 45%. É um projecto que por factores económicos, logísticos, e por dependência das estações do ano, irá demorar ainda cerca de 2 anos a concluir. Alguns dos locais serão visitados mais do que uma vez. Durante o próximo ano começaremos já a ver algumas exposições de interior e exterior em várias cidades e espero reunir os apoios necessários para a execução de um livro com todas as imagens do projecto.

 

5.            Que equipamento e software usas nos teus trabalhos?

Não gosto muito de falar de equipamento. Sou eu que faço as fotos e não a máquina ou as lentes. Esses instrumentos são apenas um meio para chegar ao resultado final. Uso câmaras SLR digitais e lentes de alta qualidade que vão desde os 15mm aos 200mm. A câmara do telemóvel também é de uma grande ajuda quando se anda em busca de locais para fotografar!

Quanto a software uso Photoshop e Lightroom. Faço o pré-processamento em Lightroom e depois concluo no Photoshop. Embora não domine este último, uso para correcção de níveis, curvas, nitidez e dimensionamento da imagem para publicação.

 

6.            Tens alguma dica, tanto a nível da fotografia em si como a nível do pós-processamento, que possas ajudar a melhor os resultados finais de outros amantes desta área?

Costumo dizer sempre que temos de ser os nossos maiores críticos. Nunca podemos pensar que fizemos uma grande foto. Temos sempre de pensar em que a poderíamos tornar melhor. Nos meus workshops, peço a todos para primeiro procurarem a foto. Concentrem-se na composição e só depois na técnica. Foquem correctamente. Conheçam o vosso material. Leiam os manuais de instruções! 80% de vocês não o faz e não imaginam as possibilidades que a vossa máquina vos oferece! Quanto a pós-processamento lembrem-se de uma coisa: é preferível perder 5 minutos a corrigir o horizonte, a focagem e a luz no local do que tentarem fazê-lo durante 30 minutos em pós-processamento. Leiam livros de fotografia e vejam trabalhos de outros autores.

 

7.            Para ti, quais são os locais ideais para a fotografia nocturna? Serias capaz de desvendar um óptimo local para quem quiser experimentar e/ou iniciar-se?

Os locais dependem um pouco do que se quer fotografar. Para fotografia urbana nocturna, a cidade de Lisboa, a zona da Ribeira no Porto, a aldeia de Monsanto, Óbidos e os mais variados monumentos históricos, são sempre bons locais e que oferecem ínumeras possibilidades. Para fotografia de ambientes naturais, aconselho o Cabo Carvoeiro, o Cabo da Roca, o Pinhal de Leiria, a Serra da Estrela e para uns verdadeiros céus escuros, a margem esquerda do Guadiana. Há muitos outros mas estes são alguns daqueles onde vi mais potencialidades.

 

8.            Tens algum site ou galeria online para divulgares os teus trabalhos?

Para a fotografia em geral existe o goncalolemos.com. Possuo um blog onde apenas mostro imagens nocturnas em goncalolemos.blogspot.com e para os Gigantes da Floresta, gigantesdafloresta.blogspot.com

 

9.            Sabendo-se que a maioria do fotógrafos tem fontes de inspiração, quais são as tuas?

Tenho dois de há muitos anos: Frans Lanting que tive a oportunidade de conhecer pessoalmente e Michael “Nick” Nichols, hoje editor da National Geographic e uma mente inquienta no que diz respeito a composições e novas maneiras de ver o mundo. Mais recentemente Stephen Alvarez, um fotojornalista que faz muitos nocturnos e gosta de fotografar em ambientes com pouca luz. Gosto de muitos outros mas estes são os que mais me inspiram.

 

10.         Sendo talvez um motivo de curiosidade para a maioria dos leitores do nosso Portal, qual foi a tua maior aventura na fotografia? Ao fotografares durante a noite nunca foste intimidado por alguma situação inesperada?

Felizmente ou infelizmente, nunca tive grandes aventuras durante as minhas saídas nocturnas, apesar de andar sempre sozinho. Por esse facto, acho que tenho tido sorte mas não aconselho ninguém a fazê-lo sozinho.

Durante a noite aconteceu-me recentemente algo que nem nos meus mais loucos sonhos pensaria ser possível. Encontrava-me no alentejo para fazer umas fotos para os gigantes da floresta. Noite dentro, andava a fotografar antas, um assunto que nunca deixo passar quando surge a oportunidade. Entrei num terreno privado e depois de ter fechado o portão atrás de mim, dirijo-me até à anta, onde vi os vários enquandramentos, luz, etc. Uns 10 min. depois quando me preparava para fazer a foto, surge atrás de mim, subtil que nem um mosquito, um cavalo branco lindíssimo, curioso com o que eu estava a fazer. Durante 3 seg. nem me mexi, até perceber que o animal estava apenas curioso. Depois desse episódio acompanhou-me para todo o lado dentro da herdade e lá fomos fotografando como se fôssemos grandes amigos.

 

11.         Como não poderia deixar de ser… Qual é a tua opinião sobre a evolução da Natugrafia.com e qual o rumo a seguir?

O Natugrafia foi um daqueles projectos ao qual me associei desde o seu início. Transmiti na altura que fazia falta algo assim, que pudesse fazer mais pela fotografia de natureza a exemplo do que acontece noutros países. São de louvar as iniciativas tomadas até agora e que em muito contribuem para aumentar os conhecimentos de muitos que apesar de amadores, são na sua grande parte o grande motor da fotografia de natureza em Portugal.

 

Fotografias:

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